Esta é, de entre as serras de Portugal, a que mais brilha. Uma estrela no nosso coração.
Quando dei por mim no sopé da serra, já levava pressa de galgar à Torre. É só lá em cima, do alto daqueles 2000 metros, que se conquista a recompensa pelo esforço da subida e finalmente se compreende a majestade, a imponência desta Serra que é mesmo uma rainha!
Até onde o olhar avista, as dissonâncias do relevo harmonizam enormes blocos erráticos de granito, lagoas de desgaste, encostas vertiginosas e, lá muito em baixo, os vales glaciares do Zêzere, de Loriga e de Unhais da Serra.
São cenários impressionantes, marcados por uma história com pelo menos 20.000 anos, quando as neves permanentes e os glaciares tomavam conta da paisagem para depois, muito lentamente, deslizarem até altitudes mais baixas.
No Vale Glaciar do Zêzere – o maior da Europa com 13 Km de comprimento, sinto-me no coração da mais genial ousadia: a natureza e os segredos destes blocos imensos, a delicadeza das muito pequenas flores aos meus pés, a água límpida, a imensidão impar desta paisagem!
Não me posso esquecer de contar, a quem me quiser ouvir, que o contraste entre os detalhes da vida a esta altitude e a grandiosidade das velhíssimas escarpas nos faz sentir… minúsculos. O que se vê, tudo o que se vê, é absolutamente deslumbrante, porque o que se vê é a Serra da Estrela!