Centro de Portugal

Aldeias do Xisto

Ainda há pouco vi um mundo de pedra que, quase por milagre, não ficou parado no tempo. Valeu-lhe a vontade de quem soube antever no xisto cinzento os matizes de um vasto potencial.

Existe um mundo onde tudo se aproveita: as padieiras das portas e das janelas são de castanho, as lajes de xisto estão nos beirais, por cima das telhas e nas soleiras. Há telhas de canudo e as ferragens das portas são antigas!

Dos soutos vêm as castanhas e a sopa de castanha é famosa até hoje. A cabra come-se quando velha e, macerada pelo vinho tinto, torna-se macia e dá sabor à chanfana. Das pequenas hortas vêm grelos frescos que, misturados com a broa e o azeite, chegam a migas deliciosas. Das urzes e com muitas abelhas ainda hoje se faz um excelente mel.

O pão faz-se em casa e o seu cheiro perfuma as estreitas ruas. Os cabritos andam serra acima, serra abaixo, e isso faz deles pratos deliciosos quando o tempo próprio chega!

E depois neste mundo, com umas quantas casinhas encavalitadas nas encostas, parecem apenas existir “quartos com vista” !
Mas não! Não é verdade! Existem pessoas, em regra com grandes rostos de avó, que partilham toda a sabedoria de um mundo em que tudo é escasso.

Decidi, por isso, tomar nota dos nomes  deste mundo: Aigra Nova, Aigra Velha, Comareira, Pena, Cerdeira, Talasnal, Candal, Chiqueiro, Casal Novo, Gondramaz, Benfeita, Fajão, Janeiro de Baixo, Janeiro de Cima, Barroca, Água Formosa, Álvaro, Sarzedas, Martim Branco,  Pedrogão Pequeno, Foz do Cobrão, Casal de S. Simão, Ferrarias de S. João.  São as “Aldeias do Xisto”.